Os diários que não contaram uma boa história

Ari Chastinet 

Os Diários de Chernobyl chega aos cinemas com muito pouca novidade, se tornando só mais um fraco filme de terror. Com 88 minutos, Os Diários de Chernobyl tem tudo o que os filmes de terror tem. Um grupo de jovens que buscam aventuras na Europa, algum suspense, fraco, mas ele esta lá, e uma censura de 14 anos. Bom, o único diferencial é que é um filme que desperta em quem assiste a vontade de saber mais sobre o trágico acidente na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

O filme conta a história de seis jovens que, em busca de tornar a viagem para a Europa mais divertida, decidem conhecer a cidade de Pripyat. A cidade onde viviam os trabalhadores da usina de Chernobyl. Guiados por um Ucraniano, os jovens vão percorrer os locais mais afetados pela radiação e descobrir que Pripyat ainda precisa estar isolada do resto do mundo.

Dirigido por Bradley Parker e com o roteiro de Shane Van Dyke e Carey Van Dyke, Os Diários de Chernobyl se mostra como um filme de terror mediano, onde vilões e mocinhos não são bem trabalhados. O que, aliás, é uma pena porque seria uma premissa bastante interessante. Desenvolver um filme sobre os efeitos que a radiação pode causar nos seres vivos. O filme acabou se tornando um desses exemplos com grandes trailers, mas que o resultado final não tem muita imaginação.

O suspense fica por conta do jovem elenco. Jonathan Sadowski, Devin Kelley, Jesse McCartney, Olivia Taylor Dudley, Nathan Phillips, Ingrid Bolso Berdal, Dimitri Diatchenko. E de uma trilha sonora bastante adequada, mas sem grandes destaques. Mas o filme tem os seus méritos. A começar pela escolha do roteiro. Confesso que foi um dos poucos filmes de terror que despertou em mim algum interesse.

Ponto também para a escolha do elenco, que apesar várias caras novas soube conduzir bem a história. O que também chamou a minha atenção foi a fotografia. Reproduzindo muito bem um clima sombrio e de abandono em Pripyat. Uma fotografia bem similar com A Bruxa de Blair.

Entre erros e acertos, a cidade de Pripyat, que inclusive já foi cenário de alguns games, mostra que ainda continua um lugar que precisa estar isolado por mais alguns anos. Pelo menos até que alguém com um roteiro mais de acordo e uma produção maior apareça e encare o desafio. A verdade é que Os Diários de Chernobyl tinha tudo para ser uma produção maior e fazer o que não fez. Assustar.

O autor é jornalista.